ao poema que nunca escrevi,
as aventuras pelas
quais nunca passei.
aos livros que nunca li,
as garotas que nunca beijei.
as tardes que passei dormindo,
todas as esquinas que não cruzei.
passeios que não fiz aos domingos,
dia do qual nunca gostei.
à fé que há muito tempo perdi,
aos inimigos que não enfrentei.
aos amores que não conheci,
lugares que não frequentei
a todas as frases que não disse,
atitudes que nunca
tomei.
todas as decepções que tive,
diversas disputas que não ganhei.
um brinde a todos os caminhos,
que não trilhei ou fiquei à margem.
provável razão de estar aqui,
com essa taça de vinho, escrevendo bobagem.
