A vida ávida há de me pagar com juros
E com seus muros, nunca mais me obstruir
Vou caminhando, vou sorrindo, vou cantando
Orgulhoso relembrando do berço onde nasci.
A guerra do amanhã se vence hoje
O açoite que insiste em me beijar
E me beijando deixa marca vitalícia
Cicatriz que não mitiga o desejo de cantar
Nesse meu samba que perpassa a aurora
E, agora, cruzará o amanhecer, eu,
No momento, imortal por esse canto, que
Seguirá com o vento misturado com meu pranto
A vida ávida há de me pagar com juros
E com seus muros, nunca mais me obstruir
Vou caminhando, vou sorrindo, vou cantando
Orgulhoso relembrando do berço onde nasci.
Oh pandeiro! Meu fiel acompanhante
É importante ter espírito guerreiro,
Tu és exemplo, pois apanhas todo dia
Mas és base nesse samba para minha poesia.
Meu holofote sempre foi a luz da lua,
Iluminando a rua onde me formei,
A malandragem é as vezes necessária
Assim como boa lábia para se formar um rei.
A vida ávida há de me pagar com juros
E com seus muros, nunca mais me obstruir
Vou caminhando, vou sorrindo, vou cantando
Orgulhoso relembrando do berço onde nasci.