sábado, 25 de fevereiro de 2012

Prepotência necessária





Qual é o mal da prepotência, afinal? Acredito que muitas vezes é isso que falta à maioria das pessoas, principalmente no Brasil. Isso mesmo, uma pitada de prepotência. Acreditar que é o melhor não significa que seja melhor que os outros, mas o melhor que você pode ser. Logo, melhor que muitas pessoas medianas, “pseudo-humildes”.
 
Na tentativa de manter uma vida social extremamente vasta e heterogênea, muitas pessoas acabam por atenuar sua personalidade e vestir a máscara da falsa humildade, que na minha opinião é demasiado podre. A vida é um jogo, não sabemos sua finalidade, mas estou aqui e jogo para ganhar. Minha família (e incluo aqui meus escassos amigos, com os quais me identifico, e quando olho fundo em seus olhos, brilhantes, inquietos, e algumas vezes, sofridos olhos, posso ver meu espírito em outro corpo, sinto-me parte de um todo, dividimos centelhas de uma mesma alma) faz parte do meu time, e só.
 
Posso parecer arrogante, irônico, sarcástico, pedante... prepotente. Posso me encaixar a qualquer rótulo e esteriótipo que vir a calhar, para eu. Porém tenho a consciência limpa. Nunca choro, quando quero sorrir. Nunca sorrio, quando quero chorar. Não jogo sujo. Não uso do senso comum, ao contrário,  fujo desesperadamente dele. Tento ser coerente nessa sociedade totalmente incoerente. Coleciono conhecidos como oxigênio. Algumas pessoas dizem que sou carismático, mas jamais falso. Lembrei da questão da prepotência, hoje a tarde conversando com um amigo cujo nome não revelarei aqui. Que me impôs o seguinte questionamento:
  • Ôhh Vini! Caso tu pudesse escolher outra pessoa, para ser, quem seria?
Parei e fiquei pensando, surpreso pelo fato de nunca ter pensado nisso. Após alguns minutos, receoso o inquisidor fitou-me e me disse o seguinte.
  • Nossa! tua vida deve ser uma maravilha, ou é tu mesmo que se acha?
Voltei para a casa com alguns questionamentos rebombando na minha consciência. Dependendo da minha vontade...caso existisse alguma outra vida...seria alguma outra pessoa? Não, não seria ninguém a não ser eu mesmo. Pode parecer que meu ego não se atenha aos meus 2 metros e sinceramente acredito que não se acomodaria nem se eu fosse o Word Trade Center.

Só eu  sei o que passei para chegar até aqui. Todos os caminhos que trilhei e os que consequentemente  abstive-me de tomar. Sei o peso de cada lágrima que esvai. Sou ciente do alívio e da abstração que cada sorriso me trouxe. Tive muitos melhores amigos, muitos deles (quase todos) não trilham mais um caminho paralelo ao meu. Conheço todas as agruras as quais enfrentei na escola durante minha infância. Obstrui cada um dos desafios que a vida me impôs, e acredite...ela impôs. Me arrependo por cada erro que cometi. Sim, me arrependo. Acho ridículo quando as pessoas dizem que nunca se arrependeram de nada em suas vidas e fariam tudo de novo. Mentira.

Pelo que os outros passaram, daí eu já não sei, e pouco me importa saber. Quero a minha família, com minha irmã chata e minha mãe super-protetora (provável semeadora de tal alterego). Quero o meu pai que nunca está em casa, e mesmo assim o amo.  Quero o meu corpo, alto porém magro. Quero a minha cabeça confusa, porém calculista. Quero meus olhos perdidos, mas observadores. Janelas marrons da minha alma incolor, que por vezes debruça-se nessa janela na esperança de achar uma motivação para continuar o enlevo da vida. Não confundamos prepotência com arrogância, mas antes a dita arrogância do que a falsa humildade. É preferível permanecer no pecado do que mentir na oração. Vamos valorizar nossa trajetória. Nossos passos, erros e acertos. Paremos de olhar a vida do outro e demos valor ao nosso cotidiano, aos detalhes que passam despercebidos aos olhos embriagados de vida alheia. Antes de amar o próximo, ame a si mesmo.


sábado, 18 de fevereiro de 2012

Processo seletivo



A vida me veio sem antecedentes
fui abdicado do vazio, do nada que me cercava.
Eu lembro.
lembro perfeitamente, lembro como se fosse ontem.
lembro do nada.
Fui admitido sem diploma algum,
não sou formado em vidologia ou afins.
É tão fácil nascer (diferentemente de viver),
qual será o processo seletivo para nascer?
Há requisitos para nascer?
Caso houvesse, o mundo não seria constituído de imbecis.
A vida é um estágio sem metas, uma estrada sem setas,
apenas um clichê de atitudes corretas.
vida é escolha?
sinceramente, não sei o que escolher,
toda escolha é uma forma de exclusão.
e não quero excluir quaisquer possibilidades,
sejam elas quais forem.


Um Onibus chamado desejo





Apesar de estar súando olhava o céu e tudo o que enxergava eram nuvens. Era um dia estranho, fazia muito calor, porém não havia sol. Comentei com Michael, cobrador que  é cliente fiel da minha barraquinha, esse fato, de certa forma, inusitado por esses lados, ele falou algo relacionado a “mormaço” que segundo ele é quando o sol não dá as caras, porém faz um calor infernal. Não tenho do que reclamar, graças ao tal mormaço vendi quase todo o estoque que tinha no freezer. Refri, suco, e picolé. Nada mais tenho a oferecer para qualquer pessoa que queira amenizar o tal mormaço. Ironicamente apenas água foi o que sobrou. Apenas duas garrafas.

Apesar de estar com o bolso forrado com papéis que movem a terra. Papéis de extrema importância para saber se uma pessoa é ou não digna de respeito e atenção. Papéis que deveriam ser movimentados por quem os possui, mas em um jogo inverso são eles que movimentam tanto quem os possui quanto os que não têm tal privilégio, sorte ou benção. Depende da avaliação de cada um. Apesar de possuir vários papéis desses no meu bolso, a altura do peito, pesando e forçando a costura do bolso da minha camisa de botão amarela, um pouco desbotada e com um cheiro de cigarro, que eu como fumante não sinto, mas minha mulher não me deixa esquecer, fazendo cara feia todo o dia que volto do trabalho. Já desconfio que o problema não seja a camisa.

Apesar de o que estar pesando, no lado externo do meu peito, dentro do meu bolso, ser motivo de felicidade e euforia para milhares de pessoas, tudo o que me trás, tal peso, é enfado e medo. Não consigo me sentir feliz a muito tempo. Sinto por vezes que me encontro no silencioso, como o meu celular, esquecido, e sem utilidade alguma. Mas seguido dessas tristes divagações, também penso que todos que trabalham por aqui sentem isso também.

Apesar de pequena a rodoviária me parece ser tão grande. A rodoviária é um lugar estranho eu sei que é limpo, mas tudo me parece muito sujo, mesmo muitos dos meus clientes sendo garis que ficam responsáveis pela limpeza do local, e trabalham super bem pelo que noto. A rodoviária é tão bonita no horário do almoço. Horário em que ela possui menos rotatividade, por vezes só eu estou aqui. Mas dura pouco tempo, no máximo 15 minutos. Cheguei a conclusão de que são as pessoas que deixam a rodoviária com um aspecto feio, cinza, distante. Quando estou sozinho, este lugar parece querer me pegar nos braços, me dar um beijo e desejar um bom dia. Bom dia, essa é afirmativa mais falsa da rodoviária, e normalmente vem seguida de “tudo bom?” que assume o posto da pergunta mais falsa.

Apesar do tempo estranho, ia cumprindo meu horário de todos os dias. Quando estava começando a recolher as placas e me preparando para fechar a barraca. Ouço alguém dizer – Olá, pode me dar uma informação – era uma voz angelical, de tom suave e recioso – prontamente virei-me em sua direção. Era tão linda. Pensei que estava frente a frente com um anjo. Seu aspecto de limpeza contrastava com o cinza daquela rodoviária. Usava roupas brancas que combinavam com sua pele, extremamente clara e seus cabelos loiros. A graça da moça era tanta, que perdi a noção de tempo, parecia estar em outra dimensão. Não a respondi, apenas a observei estático. Seus olhos azuis reprimiam qualquer ato a não ser observá-la.

Apesar de estar nervoso, fiquei calmo. Com um leve sorriso que alumiava a rodoviária, ela me perguntou como poderia pegar o onibus “desejo”. Mal sabia ela que eu era um Bonde chamado desejo. Expliquei a ela como poderia proceder para pegá-lo. Tanto era meu nervosismo que só depois me dei conta de que o tal ônibus, que ela me perguntou era o mesmo que eu habitualmente tomo para ir embora. Nem notou minha presença quando entrou no ônibus. Estava sentada ao lado do motorista em uma conversa sobre o ensino de Inglês nas escola, acho que era isso. Apesar de ela estar sentada no primeiro banco, sentei-me no fundo no último banco do lado esquerdo como de costume. O onibus não estava lotado mas quase todos os lugares estavam ocupados.

Apesar da moça aparentar riqueza, desceu em um bairro muito pobre, bairro horrível. Ela não poderia ser dali, mas o mundo é constituído de contradições. Desceu pela porta da frente, na descida o motorista piscou a ela, e o cobrador franziu as sombrancelhas. Apesar da aparencia inocente a moça parecia ser muito é da esperta. Apesar de estarmos no mesmo onibus, os bancos que nos separavam pareciam milhares quilometros de distância. Apesar de querer escrever mais vou guardar esses papéis na mochila, pois tenho que contar as moedas da passagem. A próxima parada é a minha.


domingo, 12 de fevereiro de 2012

Felicidade instântanea




Hoje sei que são os pequenos momentos da vida que tornam as pessoas maiores. A felicidade plena é inalcançável, pois não existe. Mas calma, não quero de maneira alguma insinuar a não existência da felicidade. Embora seja abstrato, esse sentimento move as pessoas, e é almejado, de norte a sul, ao redor do mundo. Onde existem pessoas, existe o clichê " busca da felicidade ".  
Todos correm atrás dela mas ninguém a alcança. Quando o Coyote capturar o Papa-Léguas, o Tom comer o Jerry, ou o Rambo ceder às investidas do inimigo, ainda estaremos perseguindo cegamente essa felicidade invisível, insípida, inodora, indescritível, inalcançável e inexistente. A vida da maioria das pessoas é uma brincadeira, literalmente, um pique-esconde com a senhora felicidade, no qual ela nunca é encontrada. O mais engraçado está no fato de que ela não se esconde. A felicidade está nos pequenos momentos, a verdadeira felicidade passa despercebida aos olhos embebecidos de planos futuros. 
A verdadeira felicidade...Está na vitória do seu time de virada, em um jogo que você considerava perdido. Está na contemplação silenciosa da dança complexa da chama de uma vela, enquanto a cera lacrimeja antecipadamente, o destino da luz que se apagará. Está naquele arrepio que sobe o corpo ao colocar o pé na água fria da piscina sob o céu azul. Está naquele frio na barriga ao trombar com aquela pessoa especial na rua, armadilha do acaso. Está naquele banho de chuva inesperado, quando tudo o que nos resta é aceitar o destino que a natureza nos impôs. Está naquele sorriso que escapa aos lábios, em um dia frio acompanhado de amigos, que fortificam a vida. Está nas lágrimas que brotam do rosto na despedida em alguma das rodoviárias da vida. Está no púlpito da formatura, ao concluir uma etapa e dar de cara com tantas outras.        
Felicidade não é o fim das batalhas do cotidiano, o nome disso é morte. Todos querem a tal felicidade a qualquer custo, e o que é a felicidade? A felicidade é viver intensamente o presente, jamais deve ser pensada como algo  que alcançaremos no futuro, pois, neste caso, estaremos colocando fora nosso presente  e consequentemente nosso passado.  Viva cada momento da vida valorizando o presente, pois nessa vida é só o que realmente nos pertence. 




Empréstimo Post-mortem

    Tenho um senso de humor meio atípico. O absurdo me seduz. Não posso deixar de achar a situação do morto na agência bancária muito engraç...