Quando
a lei for iníqua não devemos obedecê-la.
Ruy
Barbosa
Eu vivo no
Brasil, palco de muita barbaridade que posso presenciar a 22 anos - a verdade é
que os absurdos já datam de 500 anos, mas só posso relatar aquilo que
presenciei. Tendo em vista que a história é constituída – como uma colcha de
retalhos - de infinitas releituras dos diversos períodos oferecidas no varejo
das ideologias, prefiro ater-me à minha experiência para traçar uma escrita inédita, exclusiva e, se possível, intensa, sendo essa a diferença
crucial entre a vida e a história. A vida é inédita.
No Brasil, pagamos
impostos exorbitantes com a esperança – reforçada por um mito engessado somado
a um discurso batido - de que esse dinheiro retornará como investimentos públicos
para o bem comum. Ou seja, desembolsamos para que, ao menos na teoria, tenhamos supridas, pela esfera pública, nossas
necessidades no que tange à segurança, educação, saúde, infraestrutura, etc. No
entanto, o suporte que recebemos referente a essas questões soa como uma
ofensa. Somos submetidos à tamanha violência pela ausência desses serviços
básicos que nos vemos coagidos a pagar convênio particular, condomínio fechado e
vigiado, 24 horas, segurança particular, educação privada, além de todos os impostos embutidos no valor dos alimentos, roupas e outras necessidades básicas
para sobreviver pisando no limiar da vulnerabilidade.
Todos os
produtos que compramos contêm uma alta carga de impostos, que, em alguns casos,
ultrapassam o valor do próprio produto. Compramos carros e motos, não mais por
luxo, mas por uma questão de segurança e, claro está, econômica, sendo que, na
grande maioria das vezes, sai mais caro usufruir do transporte público do que
comprar um carro. Uso como exemplo o carro. Não entrarei no mérito da compra de
uma moto, porque, nesse caso, sempre é mais vantajoso se tornar um motoqueiro do que um zumbi de lotação.
Ouça o manifesto de um policial!
Ouça o manifesto de um policial!
Mentira, ainda penso que sou imortal. Então vivenciaria isso de qualquer forma.
Mas, enfim, é
impossível não fazer aquela pergunta que cobre o futuro – ou a crença nele – com um manto revestido por uma miscelânea de otimismo e esperança: Agora, vai?!
Porém, no meio do caminho tem uma pedra. O problema agora não é tanto a mídia ou a polícia, e creio
que não sejam nem mesmo os políticos. O impedimento está dentro de casa. O empecilho que se materializa como algo a ser
combatido e, mais que isso, ignorado, é a classe de moralistas de botequim que
estão se sentindo ofendidos com os tumultos ocorridos nas manifestações. AS BADERNAS!
Começo a pensar que alguns cidadãos criticavam as atitudes, segundo seu padrão de moral e ética, de acordo com o seu contexto, de seus compatriotas apenas como uma forma para sentirem-se enlevados de um upgrade moral ou, digamos, “pseudointelectual”.
No entanto, simplesmente rotular o vizinho de idiota não te torna inteligente.
O Salve
Geral do PCC conseguiu acordos com prefeituras, estados e com a união, tendo em
conta que o sistema penitenciário também é federal. Pode parecer pesado, até
ofensivo, o que irei argumentar aqui, mas o crime organizado demonstrou uma
unidade que fez com que diversas exigências fossem atendidas em prol do seu
interesse em questão de dias. O povo não! O povo ainda se divide por qualquer
intriga semeada pela mídia com a clara intenção de desestabilizar o movimento.
O pomo da discórdia da vez é a definição de violência e sua legitimidade dentro
de protestos políticos. O que pode e o que não pode em um ataque de fúria
alimentado por anos de indiferença. Só que na selva não tem leis
O que ainda
me surpreende no comportamento de alguns brasileiros é uma esquizofrenia
galopante. Somos submetidos a um panorama extremamente hostil. Somos postos à prova sob as situações mais adversas possíveis. Reclamar por ter respirado gás lacrimogênio, no âmago de uma revolta popular, no país onde crianças bebem leite com formol não me parece uma atitude muito coerente. Respiramos uma atmosfera vietnamita. O Brasil é um dos países mais violentos do mundo e,
no entanto, temos como parâmetro de comportamento os ursinhos carinhosos, o Barney. Não tentemos bancar os Teletubbies atuando em Platoon.
“Não tenha medo, pois você pode contar com seu carinho toda vez que precisar ”.
Não estou comparando o Salve Geral com as recentes manifestações populares. Mas temos que ter em mente que, independente do que você ache que consista em violência ou não-violência, essa não é a pauta que deve receber prioridade no momento. As coisas precisam mudar. Isso é fato! Nos últimos dias, o slogan do Tiririca não sai da minha cabeça, soando como um mantra. Toda vez que penso nas futuras matizes das manifestações: “Pior do que tá não fica”. E, analisando nosso âmbito político, abro mão da lei de Murphy e fico com a ideia do parlamentar.
“Não tenha medo, pois você pode contar com seu carinho toda vez que precisar ”.
Não estou comparando o Salve Geral com as recentes manifestações populares. Mas temos que ter em mente que, independente do que você ache que consista em violência ou não-violência, essa não é a pauta que deve receber prioridade no momento. As coisas precisam mudar. Isso é fato! Nos últimos dias, o slogan do Tiririca não sai da minha cabeça, soando como um mantra. Toda vez que penso nas futuras matizes das manifestações: “Pior do que tá não fica”. E, analisando nosso âmbito político, abro mão da lei de Murphy e fico com a ideia do parlamentar.
Fico
surpreso ao notar que muitas pessoas se sentem ameaçadas com a concretização do
abstrato. A possibilidade do que antes
era tido como impossível. Não consigo entender qual é o medo das pessoas que,
além de não estar colocando a cara na rua, querem regular o comportamento de acordo
com a sua dita "moralidade".
Eu não consigo interpretar tal comportamento
de outra maneira se não como um sadomasoquismo doentio para com seus
governantes. Todo o dinheiro ganho por
você, contribuinte, até o dia 23 de maio foi para manter a máquina do sistema
na ativa. Trabalhamos quase seis meses para pagar o parlamento. O custo do
congresso brasileiro é de R$ 11.545.00 por minuto. Apenas o congresso, sem
contar as câmaras de vereadores e toda a arrecadação de impostos, que já ultrapassa os R$ 750 bilhões de reais. Cada parlamentar no
Brasil sai por R$ 10.200 milhões de reais por ano.
De acordo com minha pesquisa, cada ônibus, custa em média R$ 180 mil. Mesmo que sejam vendidos ao governo pelo dobro desse valor. Ou seja, na compra de um ônibus, o próprio governo ateia fogo em um, pois se não fosse o superfaturamento daria para comprar o dobro.
De acordo com minha pesquisa, cada ônibus, custa em média R$ 180 mil. Mesmo que sejam vendidos ao governo pelo dobro desse valor. Ou seja, na compra de um ônibus, o próprio governo ateia fogo em um, pois se não fosse o superfaturamento daria para comprar o dobro.
Vamos aos cálculos:
Com
a exoneração de um deputado, poderíamos adquirir 53 ônibus novos para a população
por ano. Imagina, só... em quatro anos, período que consiste a um mandato, seriam uma frota de 212 novos veículos à disposição da população. Isso
com a exoneração de apenas UM deputado.
Somos
prostitutas de uma forma de governo insensível. Há muito tempo - se é que houve
tais tempos - não escolhemos representantes. Elegemos gigolôs a quem daremos
sustento com a água benta que nos brota da testa e a única certeza que temos
é a de que apanharemos no final do dia.
