sábado, 31 de dezembro de 2011
Observação
Fim de ano...propagação da falsidade desmesurada,
época propícia para aproximação do inimigo,
armado de um sorriso e com os braços abertos.
Abraços falsos seguidos de beijos ultrapassando barreiras cósmicas, abraços inesperados dando saudações a antigas coléras, saudações inesperadas. Saudações que não aconteceriam nem mesmo se o ano tivesse 1.888 dias, aguardam pelo fim de ano.
Cuidado! O inimigo pode largar um rojão no seu bolso na hora do abraço.
Mas se ele não o fizer aproveite a ideia e faça você, largue aceso.
É ótimo manter antigas amizades, mas desafetos tbm fazem parte da vida.
Fuja do clichê de fim de ano.
Se não há vida em uma relação durante um ano todo.
Não atue com champagne na mão.
Novela da globo é uma coisa, a vida é outra.
Não cumprimente quem você não gosta,
guarde energia para quem lhe faz bem,
e a cumprimente efusivamente.
Não tente ser Deus no fim do ano.
Quem muda é o ano e não as pessoas, não esqueça.
Será que o ano deve mudar ou as pessoas devem refletir a mudança que queremos ver no mundo?
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Transcender
O mundo real, e externo,
é menos duradouro,
menos intenso,
e muito menos divertido,
do que o mundo ilusório,
interno,
interno,
no qual mergulho.
assim que me resguardo.
coloco meus fones de ouvido,
abro um livro,
ou simplesmente fecho os olhos.
domingo, 25 de dezembro de 2011
Fumaça
Mais cedo ou mais tarde, tudo vira fumaça
Mesmo destino do cigarro que no momento fumo.
Aquela ressaca que parecia beirar a morte. Fumaça
Fumaça cinza mistura-se ao vento e toma seu rumo.
Mais cedo ou mais tarde, tudo vira fumaça.
As fotos daquele antigo relacionamento e cada lembrança.
Antigos olhares, beijos, carícias, sexo... fumaça.
Depois de fumaça, não há mais volta. Ignomínia mansa.
Mais cedo ou mais tarde, tudo vira fumaça.
Seus erros e acertos, dúvidas e certezas.
Aquele menino correndo feliz no asfalto. Fumaça.
Essa bela noite virará fumaça, estrela por estrela.
Mais cedo ou mais tarde, tudo vira fumaça.
Daqui de cima, a vista da cidade é linda. Estrelas ao chão.
Estádio lotado. Final do campeonato. Abraços. Fumaça.
Destino Brilhante, literalmente. Fogo. Não grite, daqui não lhe ouvirão.
Mais cedo ou mais tarde, tudo vira fumaça.
Agora é a sua vez. O karma se cumprindo. Deus?
O olhar da criança para o topo do morro. Fogo? Não...fumaça.
O espetáculo será proporcionado por quem lhe envolve. Pneus.
Mais cedo ou mais tarde, tudo virá fumaça.
Em Sapucaia dois meninos sentam e olham para cima.
Uma fogueira acende em cima do morro. Fogo forte...fumaça.
Tão lindo. Uma bela fogueira em meio a noite perpassa a neblina.
Mais cedo ou mais tarde, tudo vira fumaça.
Os pneus que lhe abraçam, a gasolina e o aroma proporcionado.
Morro de Sapucaia. Pneus. Gasolina. Falador. Bituca. Réveillon... Fumaça.
Champagnes, promessas, sorrisos e lágrimas. Mímese do ano passado.
.
domingo, 18 de dezembro de 2011
Abstração
Escolha,
a tela ou a folha.
Escolha,
o ar livre ou a bolha.
Escolha,
a atitude ou a encolha.
Escolha,
deite-se ou se mova.
Escolha,
viva ou morra.
Escolha,
fechar os olhos na sacada ou abri-los na masmorra.
Escolha!
Você tem a opção,
ou se ilude com a sensação de liberdade
ou parte atrás da abstração.
sábado, 10 de dezembro de 2011
Sem direção
Chove, meu para-brisa chora
me encontro perdido aqui dentro
enquanto o mundo se organiza lá fora
Chove, meus pneus deslizam
a estrada molhada me ameaça
trajeto a flor da pele, flor
Chove, não há sol
também não há escuridão
apenas um imenso nada me preenche
dou carona a solidão
Chove, faróis miram o horizonte
faróis para iluminar o caminho
preciso me encontrar, estou em desalinho
Chove, pela janela, fragmentos do presente
apesar das mãos no volante, o acaso conduz
não há intersecções, mas muitas curvas
Chove, o presente tornou-se passado na curva
passada e o futuro é o poste que vejo há frente
que acabei de passar, passado
Chove, lavando meu caminho
melhor sair na chuva acompanhado
do que passear no sol sozinho
sábado, 3 de dezembro de 2011
A propagação da magia
Eduardo nasceu em um lugar mágico, sua casa abrigava dez pessoas, mesmo não cabendo duas. Não era a única do bairro, todas as casas, seguiam esta mesma linhagem. Big family, small house. Todas as casas eram mágicas. Quando pequeno, vivia recluso dentro de casa, sua casa mágica. Eduardo escondia-se do mundo, mundo real que o olhava com desdém. Sempre na companhia de gibis e brinquedos, que seu irmão mais velho trazia, uma vez que outra, e logo após uma longa discussão com a mãe, sumia novamente por algumas semanas.
Certa vez após uma ligação e um choro copioso de sua mãe, seu irmão nunca mais apareceu. Eduardo apenas ficou sabendo, algum tempo depois, que ele havia morrido exercendo a profissão. Seu irmão era mágico. Eduardo seguiu a mesma profissão do irmão, para o desgosto da mãe, que sempre foi contra as mágicas dos filhos, que desde cedo faziam aparecer coisas, que não lhes pertenciam.
Eduardo não lembra como tornou-se mágico, nem mesmo qual foi a primeira mágica que fez, aliás foram tantas que ficaria quase impossível demarcar um número. Acredita que foi por influência dos amigos, que lhe apresentaram o maravilhoso pó mágico...Ahh o pó fantástico, verdadeiro pó de pirlimpimpim. Fruto de sensações indescritíveis, fugas da realidade que o cerceava, altos voos sentimentais, responsáveis por amenizar os picos emocionais que tanto o afligiam.
Eduardo era famoso, conseguiu grande repercussão logo na adolescência, inclusive capas de jornais e diversos noticiários. Desde cedo, tornou-se um mestre na arte da magia. Era fantástico como conseguia obter exito em seus truques com apenas algumas palavras, que eram super versáteis, pois funcionavam em todos os lugares em que se apresentava. E assim Eduardo conseguia fazer sumir diversas coisas que o interessasse.
Eduardo foi um adolescente tímido e estava imerso em uma depressão profunda. O pó fantástico foi decisivo para que ele se torna-se um mágico. Descobriu que aquele pó branco lhe dava a euforia de viver, o bem estar necessário para nunca mais pensar em suicídio, e elevava seu humor o fazendo rir de coisas simples. Após ver a simplicidade do mundo sempre com um sorriso estampado no rosto, até sua auto-estima melhorava.
O engraçado é que o pó era mágico, e era mágico por si só. A magia não está nos atos do mágico, e sim na interpretação, de tal ato, pelo público que observava atônito às apresentações. Seu público era formado por todo o tipo de pessoas, crentes, ateus, gordos, magros, negros, albinos. E todos admiravam o espetáculo e esboçavam exatamente as mesmas reações.
Como as apresentações aconteciam na maior parte das vezes em instituições públicas, quase exclusivamente bancos, uma e outra lotérica apenas. O público constituía-se de pessoas em filas, apressadas, reclamando, mas que durante a apresentação valorizavam ao máximo suas vidas. O público...ahhhh o público, sempre muito receptivo e respeitoso, prestando atenção a cada palavra de Eduardo. Algumas pessoas se emocionam, principalmente mulheres, a cada palavra mágica que sai da boca de Eduardo, e se debulham em lágrimas.
Eduardo sempre foi autodidata, aprendeu a profissão sem frequentar escola, e sem a ajuda do governo. Tornou-se um mágico bem sucedido devido a seu talento de cativar o público, totalmente predisposto à magia. Eduardo tem a certeza de que a situação atual do país e da educação, ambos com sistemas falidos, contribuirão para que o mundo se torne um circo onde os mágicos propagarão sua magia para retomar o que lhes foi roubado outrora.
Como mágico, Eduardo adentra o palco das instituições sempre com sua ferramenta, não é uma varinha mágica tradicional, mas exerce o mesmo efeito. Garante o sucesso da mágica. Artifício essencial para que o espetáculo seja bem sucedido. Sua ferramenta brilha e é com ela que ele conduz a apresentação e o próprio público. Atualmente as pessoas sabem reconhecer o espetáculo de Eduardo por suas sucintas palavras mágicas....É um assalto, não se movam e sairão todos sem nenhum arranhão.
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