A crítica de professores (me incluo aqui) sempre foi que a educação não deve ser refém do vestibular e, ao abrir meu facebook hoje, a pergunta que mais leio é "e o vestibular?" Aí percebo que talvez a educação nunca foi refém do vestibular, os reféns eram os professores. Amigos, quem já foi professor (ou aluno) do Ensino Médio sabe da necessidade urgente de uma reforma. No segundo turno das eleições de 2014, votei na Dilma esperando essa bendita reforma educativa. Se vocês buscarem na internet poderão ver a ex-presidenta argumentando sobre a urgência de uma mudança no ensino e sustentando não haver lógica em um sistema totalmente improdutivo onde se "acumulam" disciplinas em alunos representando fielmente aquilo que Paulo Freire criticou classificando como 'educação bancária'. É contraproducente 13 matérias para alunos do Ensino Médio que já tem uma, ainda que sutil, ideia do caminho que quer seguir na vida... dura vida. (Ou, ainda mais importante, do que não quer seguir).
Não podemos fechar os olhos para o grande problema oriundo desse sistema maçante e, consequentemente, desestimulante: a evasão escolar. No ano de 2007, uma pesquisa do PNAD já apontava que apenas 21,8 % dos alunos que conseguiam uma ocupação no mercado de trabalho voltava às escolas. Traduzindo: praticamente 80% dos alunos que conseguiam emprego já não regressavam aos bancos escolares. Penso que a educação está acima de qualquer birra ou preferência político- partidária. O índice catastrófico de evasão escolar é a morte do futuro do país a conta gotas. Vejo nessa reforma a possibilidade de atacar frontalmente o problema da evasão. Ontem, fiquei incrédulo ao assistir a uma entrevista de especialistas que argumentavam "que a reforma representava um atropelo numa matéria que vinha sendo debatida desde a década de 80". Porra... quase 30 anos pensando? Democracia não é escutar todo mundo o tempo todo. Chega o momento em que é necessário agir. Do jeito que tá, não dava mais.
Lembremos nossa passagem pela escola. Todos os que, neste momento, deslizam seus olhos sobre essas letras passaram pela escola. Farei a pergunta clássica: "Foi bom pra você?!" Eu, particularmente, adorava História, Filosofia, Português e Sociologia. Porém, eram uma tortura as aulas de Química, Física, Biologia e afins. Hoje, fui buscar meu diploma na Unisinos. Estou oficialmente formado em Letras: Português/Espanhol e sigo sem saber ler a tabela periódica. Isso nunca significou impedimento algum para minha formação. É evidente que se pudesse ter o poder de escolha sobre o que cursar no Ensino Médio jamais necessitaria ter utilizado meus talentos cênicos (Artes, aqui, foi essencial) para que a professora Lígia não me reprovasse no segundo ano.
Enfim, criticar uma reforma que antes era defendida simplesmente por ser proposta por outro político não me parece a atitude mais correta frente a um problema que não pode esperar até que tenhamos "Jesus" na presidência. Claro está que não tenho a menor simpatia pelo presidente, inclusive, nutro tanta antipatia por ele quanto pela Química orgânica. No entanto, acredito que devemos juntar forças para combater os absurdos (que não são poucos) no lugar de resistir a uma reforma que era inevitável. Gritemos contra a reforma da previdência que quer nos forçar a contribuir 49 anos para que só então possamos solicitar aposentadoria. Se não nos unirmos para combater o que deve ser veementemente rejeitado e nos agarramos a birras sinto dizer que seremos, inevitavelmente, uma geração de velhinhos que irá às praças para que os pombos nos alimentem.
Enfim, criticar uma reforma que antes era defendida simplesmente por ser proposta por outro político não me parece a atitude mais correta frente a um problema que não pode esperar até que tenhamos "Jesus" na presidência. Claro está que não tenho a menor simpatia pelo presidente, inclusive, nutro tanta antipatia por ele quanto pela Química orgânica. No entanto, acredito que devemos juntar forças para combater os absurdos (que não são poucos) no lugar de resistir a uma reforma que era inevitável. Gritemos contra a reforma da previdência que quer nos forçar a contribuir 49 anos para que só então possamos solicitar aposentadoria. Se não nos unirmos para combater o que deve ser veementemente rejeitado e nos agarramos a birras sinto dizer que seremos, inevitavelmente, uma geração de velhinhos que irá às praças para que os pombos nos alimentem.
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