Estava quente. Suávamos muito. Sua respiração estava ofegante. Ainda que minhas palavras tentassem tranquilizá-la. Envergonhada, ela disse que era a primeira vez que passava por aquela situação. Eu, no entanto, estava tranquilo, pois já me considerava um perito naquele assunto e, modéstia a parte, faço isso com uma destreza impressionante. Disse a ela que não se preocupasse, porque já havia passado por aquilo, porém a maioria das minhas experiências anteriores haviam sido com meninos- meninos muito próximos a mim, é claro. Realmente, já tinha passado por essa situação diversas outras vezes. Disse-lhe que aquilo era normal e para que não ficasse nervosa: "Irão acontecer diversas outras vezes em sua vida. Essas coisas são inevitáveis. Fazem parte do cotidiano do ser humano."Ela iluminou o lugar com um imenso sorriso, o que automaticamente me fez rir também.
O vento acariciava seus cabelos de uma forma que alguns fios colavam-se à testa, onde havia resquícios de suor. Tínhamos apenas 13 anos e estávamos recém descobrindo a vida, que comparada a um trem, havia acabado de partir da estação nascimento com parada apenas na estação denominada “morte” por alguns, “lugar melhor” por outros... e etc. Engraçado que, naquela época, não pensava no destino da viagem como penso hoje. Falei para ela que deixasse tudo comigo e tornei a tranquilizá-la. Alertou-me para que eu agisse rápido, pois logo seus pais chegariam e não iriam gostar nada daquela história. Assumindo meu papel de homem ( "o homem da casa", termo que meus pais usavam ao se referirem a mim perante às visitas.) e usando as mãos para tal atividade comecei a explicar que eu deveria apenas empurrar até que entrasse totalmente no buraco. Que, a princípio, parecia pequeno, mas era capaz de adaptar-se, pois era flexível. Bastava um pouquinho de jeito combinado com uma dose de força e entraria tranquilo. Ah! Expliquei também que aquele material era feito de borracha o que não pareceu nem impressionar ou, quem sabe, incomodá-la. Pensei cá com meus botões. “De repente, já haviam lhe explicado”
Comecei a empurrar devagar e depois com um pouquinho mais de força. Sempre dando atenção a ela e dizendo que daria tudo certo, e seus pais nem desconfiariam . Ela parecia cada vez mais nervosa, por vezes mordia os lábios, e eu não sabia se era pelo fato de estar preocupada com alguma coisa que poderia dar errado ou com seus pais que poderiam chegar a qualquer momento, e como ela relatou: “Não iriam gostar nada daquela história”. Não estava conseguindo enfiar naquele buraquinho que parecia tão pequeno, acho que o mais pequeno que já vi. Limpei meu rosto que pingava suor e retornei a tarefa que deveria concluir. Finalmente com mais jeitinho do que força foi que consegui desbravar aquele orifício minúsculolo que parecia se fechar para mim.
Quando os pais dela chegaram o Havaianas já estava arrumado e brincávamos de pé no chão, por precaução. Pois expliquei a ela que nem sempre se consegue arrumar e que teve sorte de não ter que enfiar um prego. O que fazia na maioria dos chinelos de meus amigos. Imaginem só! arrebentar o seu chinelo verde novo que a mãe acabara de comprar.

ta loko que texto é esse cara
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