quarta-feira, 15 de abril de 2015

"Aposto dez no de Azul!"


É provável que isso já tenha acontecido contigo. Ao chegar em casa, ligar a televisão e navegar por alguns canais, encontra uma luta. Boxe, digamos. A luta já começou. Você nunca ouviu falar de nenhum dos competidores. Ambos são estrangeiros e você também não faz a mínima ideia de qual seja a nacionalidade dos lutadores e tampouco te interessa saber. O que importa é que a luta está parelha. Uma luta bastante equilibrada entre o competidor que veste uma bermuda azul e o competidor com uma bermuda vermelha.




Então, você inconscientemente escolhe um lado. Uma escolha embasada pura e simplesmente na simpatia (ou antipatia) que você nutre pela cor da bermuda de um dos atletas. Nada mais. No competidor que veste a sua cor favorita - vermelho ou azul - você projeta tudo o que é bom, inclusive, você! Já no seu rival, você identifica tudo que há de mau - teu inimigo, teu chefe, tua sufocante rotina. Sem meio termo. Um passa a ser Deus e o outro a Regina Casé. É como se, instantaneamente, um houvesse caído do céu e o outro vindo diretamente dos bastidores do Esquenta. 

Ressalto que os lutadores são muito equilibrados, possuem praticamente a mesma estatura e, além disso, ambos são patrocinados exatamente pelas mesmas empresas. Os atletas parecem ter, inclusive, a mesma técnica, e utilizar os mesmos golpes, e, como o Boxe não era a sua praia até então, tu não consegue diferenciar muito bem as coisas. E não importa. Porque o que importa é escolher um lado. 

Bueno, após uma luta extremamente acirrada, o lutador que você estava apoiando perde por pontos no décimo quinto round ( Reitero que era uma luta apertada). E você, insensível à derrota de seu mais novo (ex-) amigo, continua navegando pelos canais com seu remo a pilhas que te permite navegar desde uma considerável distância do mar.

Uma atitude de escolha arbitrária com critérios tão superficiais que beirem a inexistência, é totalmente compreensível, dado um contexto específico. Como, por exemplo o da luta descrita anteriormente. 

No entanto, tenho notado que essa lógica tem se estendido ao campo da política. 

Escolhas essas que, diferentemente de uma luta casualmente descoberta depois de minutos a deriva com o remo remoto, deveriam respeitar a critérios rigorosos, análises, pesquisas, leituras, enfim, um processo complexo, individual e contínuo que não deveria se resumir a "cor de uma bermuda". Nesse caso, à sigla de um partido. 

É necessário inserir-se no jogo político, além de extremamente importante e saudável para nossa democracia - a qual temos muito o que aprimorar - desde que essa inserção se dê de maneira consciente. E, como a consciência não é um ato instantâneo, senão um movimento, não só podemos como devemos ir tomando consciência ao longo do processo. Esclarecimento obtido por meio de livros, da leitura, da busca de informação e da transformação dessa informação em conhecimento. Existe um enorme abismo conceitual entre Informação e conhecimento. Somos a sociedade da informação, mas estamos longe de ser a sociedade do conhecimento. Política é coisa séria. Ler é essencial. Se informar é indispensável. E, além de tudo, ouvir. Antes de falar é necessário ouvir. Antes de escrever é necessário ler. E logo, pensar por si. Guiar-se sozinho. Já está na hora dos "conscientes de plantãot, os revoltados da revolta revoltosa, tirarem as rodinhas de sua Caloi roxa da Pocahontas. E desfrutarem o vento no rosto.

A sensação desse vento no rosto, conforme me disseram, aplaca confusões como:

 Todo mundo que se diz de esquerda :


  • Prega o Comunismo.
  • Prega o Socialismo.
  • É a favor de Nicolás Maduro.
  • Almeja a situação da Venezuela. (Digna de piada)
  • É totalmente a favor do Regime Cubano.
  • É gay.
  • Adora fazer abortos.
  • Realiza abortos.
  • É macumbeiro.
  • Ganha dinheiro da Petrobrás. (Exceto, eu. Eu recebo!)
  • Envia dinheiro pra Cuba.
  • Fuma maconha.
  • Faz pronatec.
  • É contra a propriedade privada. (Oh deus!)
  • É contra a polícia.
  • Adotou um vagabundo.
  • Acha que o Mensalão não existiu
  • Já foi preso.
  • Queria que a Cristina Kirschner posasse nua.
  • Tem uma Kombi.
  • É ateu.

Ou que, todo mundo que se diz de direita:

  • É a favor da ditadura. 
  • Queria que voltasse a Lei Áurea.
  • É evangélico.
  • É homofóbico.
  • Comprou o Kit Impeachment.
  • Não sabe escrever Impeachment.
  • É bolsonete.
  • Usa gel.
  • É a favor de privatizar a porra toda.
  • Queria se mudar pra Miami.
  • Odeia o PT.
  • Não sabe o que é PEC.
  • Votou no Lasier ou Ana Amélia (Leia-se RBS)
  • Não sabe história.
  • Defende o Estado Mínimo.
  • É moralista.
  • É fiscal de cú alheio.
  • Não sabe o que é direita.
  • É rico. (como bem disse Tim Maia, o Brasil é o país dos pobres de Direita)
  • Lê Olavo de Carvalho.
  • Usa neologismos criados pela mídia.
  • Exerce moralismo repassando correntes no Whats App contra a Novela Babilônia
  • Vai a protestos só pela Selfie. #MudandooBraZil
  • Escreve Brasil com z.
  • Compartilha vídeos do Alexandre Frota
Enfim, sarcasmos à parte (ainda que não partidarizados), está cada vez mais difícil suportar essa bipolarização. Esta guerra. Sem ideologia clara. A batalha do ouvi dizer. E as pessoas compram esses pacotes. Oxalá chegue o dia em que entendam que partido não é time de futebol ou religião e que a escolha não devem ser arbitrárias, pois ao apagar das luzes, os lutadores descem do ringue e quem apanha é você.





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