quinta-feira, 15 de setembro de 2011





Baseado em fatos reais


Nossa! São 7:00 horas e agora que foi levantar
Essa hora deveria estar saindo de casa para trabalhar
Vai tomar um banho, e ri de sua moleza
Ao sair, apavora-se ao consultar o relógio do computador de mesa

Passaram-se 15 minutos desde que acordou
Isso não está ocorrendo porque planejou
Como sua mãe ele acredita em destino
Seria um sinal do divino?

Não na palavra no dicionário tal e qual
Mas de uma forma mais espiritual
Isso não é bom sinal
Está mais atrasado que o habitual

No mundo de hoje, até o atraso tornou-se rotina
O saber do homem é limitado, porém ensina
Existem segredos que nem o homem mais sábio imagina
E imagina imaginar que poderia desvendar
e desvendando o indesvendável sua sede saciar

São 7:15 inicia às 7:30 em seu serviço
Pode ser que o patrão nem note o atraso, mas é difícil
Olha o relógio de novo, nessas circunstâncias torna-se um vício
A sensação de que temos o tempo em nossas mãos é totalmente fíctício

Vai até a pia velha. Engole o pão sem café
Sabe que para manter-se de pé, necessita muito mais que fé
Homem sábio e experiente, decendente de abaeté
Porém foi índio forte toda a vida. E nunca virou pajé

Não esquece o boné e coloca-o na cabeça
Deve vencer o tempo antes que o tempo o vença
Seria uma competição? Do jeito que as coisas andam, mais parece conspiração
Nunca sonhou alto, como muitos no mundão
Almejava paz, que sempre significou cama e pão
Alcançou o que desejava ou imaginava desejar então
Mas às vezes tem impressão de que viveu até agora em vão


Sempre pensava, tudo que é demais tá errado
Mas será que almejar um pouco mais seria pecado?
Não que foi ausente, mas sempre sentiu-se indiferente
dessa morte em vida que a religião tenta impor na gente

Perde-se em divagações. Ótimo artifício
Pensa por si só. Já que o mundo não lhe oferece tal exercício
Não ve mais prazer no trabalho e sim um sacrifício
Todo dia antes de sair de casa para o trabalho sente-se em cima de um precipício

Olha o relógio são 7:22. Ele deixa a casa agora para voltar depois
Deixa tudo bem fechado. Certifica-se de ter chaveado
Morre de medo ser assaltado. Não vai perder muita coisa, porém
O pouco que possui é tudo o que ele tem
E sabe que se não vier do seu trabalho não ganhará nada de ninguém

Não é hora de pensar em tragédia agora
Pega a bicicleta, na qual irá pedalar estrada a fora
Estranho... tem a sensação de dé jàvu
Aquela estranha sensação de que já esteve ali

O mais estranho é que o caminho é o mesmo, percorre sempre o mesmo chão
Nunca sentiu, tal sensação. Seria o tal destino segurando sua mão?
Ouve cães uivando. Relembra parte do que estava sonhando
Eram vozes, pessoas sussurrando. Não lembrava o que estavam falando

Ele é atingido; e arremessado ao longe girando,
perde a consciência e a retoma na ambulância com pessoas conversando
Sua cabeça dói e o resto do corpo nem sente
Revê sua mãe, tão linda, à sua frente. Não cabe em si de tão contente
Deixa o seu corpo e segue em frente

"Expedito Alves de Lima, 54 anos, morreu no início da manhã desta sexta-feira (29/07/2011) após ser atropelado por uma D20. o fato ocorreu na Rua Heleno Pereira Pinto, Bairro Campo Grande (Delmiro Gouveia/AL). Segundo consta, Expedito estava em uma bicicleta indo a uma fazenda onde trabalhava como soldador, quando foi violentamente colhido por uma D-20 azul, placa HRI-4342, que estava no mesmo sentido que o ciclista. O motorista identificado apenas por Gilberto após a colisão evadiu do local sem prestar socorro à vítima. Expedito foi socorrido por uma Unidade do SAMU ainda com vida e encaminhado a Unidade de Emergência de Delmiro Gouveia,devido à gravidade dos ferimentos, foi conduzido ao Hospital de Arapiraca vindo a falecer durante a viagem."

5 comentários:

  1. olá meu caro vini! gostei muito do blog
    e principalmente, pelos assuntos insólitos que certamente vç abordará.e se for uma miselânia melhor ainda.parabéns e muito sucesso!!!
    ana ramos

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  2. Esses textos só podiam sair da sua cabeça mesmo... Ótimas palavras... ... sucesso ...

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