Chove, meu para-brisa chora
me encontro perdido aqui dentro
enquanto o mundo se organiza lá fora
Chove, meus pneus deslizam
a estrada molhada me ameaça
trajeto a flor da pele, flor
Chove, não há sol
também não há escuridão
apenas um imenso nada me preenche
dou carona a solidão
Chove, faróis miram o horizonte
faróis para iluminar o caminho
preciso me encontrar, estou em desalinho
Chove, pela janela, fragmentos do presente
apesar das mãos no volante, o acaso conduz
não há intersecções, mas muitas curvas
Chove, o presente tornou-se passado na curva
passada e o futuro é o poste que vejo há frente
que acabei de passar, passado
Chove, lavando meu caminho
melhor sair na chuva acompanhado
do que passear no sol sozinho

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