sábado, 28 de maio de 2016

Sem bons sentimentos

Hoje pela manhã, não estava assistindo à sessão do Senado que votará o Impeachment. Enquanto organizava meu quarto, ouvia uma seleção de músicas dos anos 90. Basta apertar o botão "musica" no controle remoto e escolher um canal musical. Convenhamos que é muito mais agradável ouvir a voz da Paula Toller do que a da Ana Amélia. "Parece cocaína, mas é só tristeza", cantou Renato Russo, muito melhor do que a voz do Aécio.
Não assistir à votação, no entanto, não significará surpresa ao confirmar que a presidenta Dilma Rouseff foi afastada do cargo. Estou feliz em não ouvir a Ana Amélia ou o Perrella votando ou até mesmo se pronunciando. Minha cara pegaria fogo tamanha a vergonha alheia que sentiria ao escutar a jornalista que foi CC fantasma do marido por oito anos, recebendo 8 mil reais sem trabalhar ou o dono do helicóptero com meia tonelada de pasta base de cocaína votando pelo afastamento de uma presidenta por "pedaladas fiscais" e, segundo seus reiterados discursos, acabar com a "roubalheira institucionalizada". Lembrando que a mesma Ana Amélia que mamava no senado sem trabalhar, hoje é uma senadora. Afinal, já diz a máxima da meritocracia, "querer é poder", certo?
A hipocrisia humana é algo interessante. Acompanhando todo esse processo, notei detalhes que revelam uma desfaçatez galopante. Percebi, por exemplo, que as pessoas que votaram no Aécio Neves em 2014, foram os mesmos que pintaram as caras de verde-amarelo e saíram às ruas "contra a corrupção que está aí". Os paladinos na cruzada contra a corrupção votaram em Aécio Frozen, mesmo cientes de todas as suas maracutaias, sendo a menor delas um aeroporto construído no sítio do próprio tio com dinheiro público. Titio ficava com a chave. É ou não é o "Top das privatizações"? Não é por acaso que o nome do senador esteja mais presente nas listas de corrupção do que as próprias linhas da folha, pois algumas listas foram escritas em folhas de ofício. Aliás, ouvi rumores que a Tilibra lançará em breve um caderno de 200 folhas para toda a "gente de bem" do país, cada folha terá o nome do Aécio em uma linha diferente.
Saindo da esfera "do asfalto" e invadindo a política, hoje está sendo votado a admissão e o afastamento da presidenta por conta de um relatório que leva o carimbo do PSDB na folha de rosto. O partido perdedor, PERDEDOR, que PERDEU, saindo DERROTADO, não se contentou com o segundo lugar. Partiu, então, para a tática do Fluminense. O velho e famoso tapetão. E o mesmo PSDB do derrotado, principalmente em seu próprio estado, "Aécio Let it go", que durante a campanha se auto-titulou "especialista em derrotar o PT", já declarou que assumirá ministérios. Mas claro, não é golpe.
Após todo esse processo asqueroso e dissimulado, o que nos resta é esperar. Recordo de um personagem de Mia Couto que dizia que "a vantagem de pobre é saber esperar. Esperar sem dor. Porque é espera sem esperança." E, em resposta a toda a euforia das redes sociais, afirmo que deveríamos ter lido mais Nelson Rodrigues que pode nos ajudar a entender tanto o fato do Fluminense não ter jogado a série B após ter sido rebaixado, quanto o PSDB, vulgo perdedor, a partir de amanhã, assumir ministérios.O escritor, torcedor fanático do Fluminense, inclusive, escreveu que "muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos."

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